D.O.A.
E ela
abriu os olhos.
“Não se fazem mais cílios postiços como antigamente”. Aquela
frase, ouvida há muito, ainda quando criança por sua bisavó, finalmente fazia
sentido. Claro, ela não conhecia os tais cílios mencionados na famosa frase de
família, mas ela conhecia muito bem aquela porcaria grudada em suas pálpebras.
E quem a havia mandado dormir coma maquiagem do dia anterior?
Levantando-se
devagar, caminhou até o banheiro para ver se conseguia ao menos lavar o
rosto. Suas costelas doíam, e vendo-se
refletida no espelho, percebeu manchas roxas por seu braço e pernas, e em sua
camisola de seda, uma pequena mancha de sangue na altura esquerda de seu
pulmão. Olhando sob o pano rosado, não identificou nenhuma lesão. E continuou a
lavar sua face. Escovou os dentes e viu-se indo tomar café.
Depois
de sair do escritório de seu chefe, contou os segundos até o final do
expediente. Terminou de preparar o jantar mais não se lembrou de como chegou em
casa. Deitou-se em sua cama para assistir um pouco de televisão antes de
dormir.
Um
programa sobre vida hospitalar, e os médicos tratavam uma paciente envolvida em
um acidente de carro. Três costelas fraturadas e uma perfuração no pulmão, lado
esquerdo. Inconsciente, por dois dias. Em um close no rosto da paciente, ela reconheceu os cílios postiços que
não saíram por nada nesse mundo.
E ela
abriu os olhos.
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