Do gás inebriante, liberdade
Sentado em uma cadeira de bar, afogo meus anseios no fundo de um copo de cachaça. Sem pensar em nada, viajo pelo tempo até anos atrás, analisando um outro eu. E então entra no lugar um menino, em torno de seus 15 anos, que não me é estranho. Ao redor, ninguém parece notar aquele guri, apenas eu. Senta-se ao meu lado esquerdo, pede um refrigerante de cola e diz:
"Sabes por que bebo isto?"
"Não lhe conheço rapaz, como saberia?"
"E isto?" - mostra-me a bebida - "Reconhece?"
"Sim, marca famosa, também a bebia em meus tempos de juventude."
"Ainda não sabe quem sou?"
Paro de prestar atenção no menino e retorno às minhas angustias. Martirizando-me, começo a imaginar os anos futuros. E então, entra no bar um senhor idoso, que senta-se ao meu lado direito. Pede um refrigerante de cola e analisa meu rosto com afeto. Já culpado pelo álcool, reajo explosivamente, perguntando se estou no meio de alguma gracinha. O menino levanta seus olhos do gás borbulhante e diz:
"Estamos aqui para dar fim ao seu sofrimento; sou teu 'eu' do passado."
O senhor, que nunca tirou os olhos da minha face diz:
"E eu; sou tu no futuro. Juntos, viemos lhe dizer para que não te aflijas. Um dia, fostes alienado do que estava ao teu redor. Eras feliz, mas ao atingir a maturidade, viu que de nada lhe valia. Se tornara um homem seguinte de normas e conceitos, que afoga suas indecisões após a labuta, não pensando em mudar, mas tentando esquecer. E se tornarás um dia, após certo esforço, um homem livre, dono de suas escolhas e valores. E olharás com fervor os dias que lhe passaram, enxergando que tudo lhe ajudou a construir o que serás um dia."
Perplexo, digo:
"Se mudarei tanto assim, por que você bebe o mesmo refrigerante de cola?"
E o meu 'eu' livre responde com um sorriso:
"Esse era bom mesmo."
"Sabes por que bebo isto?"
"Não lhe conheço rapaz, como saberia?"
"E isto?" - mostra-me a bebida - "Reconhece?"
"Sim, marca famosa, também a bebia em meus tempos de juventude."
"Ainda não sabe quem sou?"
Paro de prestar atenção no menino e retorno às minhas angustias. Martirizando-me, começo a imaginar os anos futuros. E então, entra no bar um senhor idoso, que senta-se ao meu lado direito. Pede um refrigerante de cola e analisa meu rosto com afeto. Já culpado pelo álcool, reajo explosivamente, perguntando se estou no meio de alguma gracinha. O menino levanta seus olhos do gás borbulhante e diz:
"Estamos aqui para dar fim ao seu sofrimento; sou teu 'eu' do passado."
O senhor, que nunca tirou os olhos da minha face diz:
"E eu; sou tu no futuro. Juntos, viemos lhe dizer para que não te aflijas. Um dia, fostes alienado do que estava ao teu redor. Eras feliz, mas ao atingir a maturidade, viu que de nada lhe valia. Se tornara um homem seguinte de normas e conceitos, que afoga suas indecisões após a labuta, não pensando em mudar, mas tentando esquecer. E se tornarás um dia, após certo esforço, um homem livre, dono de suas escolhas e valores. E olharás com fervor os dias que lhe passaram, enxergando que tudo lhe ajudou a construir o que serás um dia."
Perplexo, digo:
"Se mudarei tanto assim, por que você bebe o mesmo refrigerante de cola?"
E o meu 'eu' livre responde com um sorriso:
"Esse era bom mesmo."
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